Os tais amores virtuais

Eu dei carinho, dei paixão,
dei afeto e consideração,
eu fui só compreensão,
eu estendi minha mão,
amparei, auxiliei, acompanhei,
eu me dediquei.
Eu me apaixonei,
eu me entreguei
e finalmente descobri
que me enganei.
Aliás, na verdade, eu não sei
quem foi que eu amei.
Por um amontoado de palavras
e uma voz delicada
eu me deixei levar
e fiz questão de acreditar
que seria possível alguém me amar
sem nunca fazer um esforço pra me encontrar.
Os tais dos amores virtuais
sempre começam e acabam iguais.
Alguém sai muito ferido
e, pelo outro, é logo esquecido
e quem sai ferido
nunca entenderá o real motivo
de tanto tempo que foi perdido.
Se não era pra ser de verdade,
se não havia a intenção de transformar
tudo que existia em realidade
pra que criar tanta ilusão sem necessidade?

Silvana Duboc