Penumbra

Espere...
Não entre na desordem deste quarto!
Esparramei no chão
meus sentimentos,
estou revendo a história
de cada momento.

Cuidado!
Aqui estão os ais do meu passado...
Não pise nessas dores
tão antigas, tão velhas,
que já são minhas amigas.

Observe...
Todas as imagens desbotadas...
São meus momentos de decepção
lavados com o pranto do meu coração...

Descubra
Pendurada naquela parede,
minha coleção de esperanças,
desde os velhos tempos de criança...

Confira
aqueles momentos de incerteza...
Os medos, pesadelos, titubeios e
a coleção de meus tolos receios...

Admire...
Empilhei ali naquele canto
todas as vitórias conquistadas,
quando por mim fui superada.

Sorria...
Veja a coletânea de alegrias,
meu acervo de rara beleza...
A vida não é só tristezas!

Não brinque!
Aqui eu guardo meus amores...
De todos, os mais fortes sentimentos.
Tremo ao relembrar cada momento!

Não ligue...
Ali deixei a miscelânea, instantes...
curtos, fortes, variados,
murais que só eu sei o significado...

Enfim...
Sente-se aqui, perto de mim,
apague a nostalgia que me inunda
e veja à meia-luz desta penumbra,
fhashes da aventura que deslumbra!

Sylvia Cohin