Perguntei ao vento

Perguntei ao vento, se ele sabia de você...
Ele respondeu-me que sabia do meu amor
e conhecia minha dor...
Falei pra ele que lhe via indo embora me deixando
sozinha e, sem a sua presença, me achava
perdida com a sua partida.
Propaguei ao vento toda dor que sentia de sua ida.
Ele perguntou-me então, se o meu amor
era maior que minha dor...
Respondi ao vento que meu amor por você
transcende a tudo, que é uma magia contagiante,
que chego a ouvir os pardais cantando
numa sintonia de espirais...
Que amar você é galopar em devaneios,
num cavalgar de paixões, na loucura da
explosão que emana do meu tesão...
Que amar você é sentir meu corpo invadido,
possuído e retorcido, no frenesi de desejos
de corpos ardentes e sedentos...
Que amar você é emergir no prazer de um
céu de purpurina, onde bebo cada brilho
e ofereço ao meu corpo fogoso...
Propaguei ao vento que, ao lhe contemplar, atiça
meu íntimo, fico arfante, febrilmente delirante...
E quero lhe amar, quero lhe fazer amor,
quero lhe encantar.
Falei ao vento que, sem você não respiro, não sou
nada, pois o ar que respiro e me faz viver é você.

Rose Sadalla