Poema para alguém

Não foi em vão
Que te entreguei meu coração
Que eu me lembre
Até acontecer esse momento
Dentro de mim havia um tormento
Travava-se uma batalha insana
Uma luta profana
Mas chegastes tão insistente
Tão carinhosamente
Oferecendo-me amor
Desejando curar a minha dor
Que me convenceste
Mas incorrestes no erro de me fazer promessas
Juras impressas
Declarações que se diziam honestas
Tantas coisas que não podias assumir
Nada que conseguistes de fato cumprir
Apesar de tudo isso em ti acreditei
Inocentemente me entreguei
É bem verdade
Que na minha idade
Tanta ingenuidade
Não deveria mais existir
Mas é que o coração de uma mulher
Acreditar, sempre quer
Jamais amadurece
E por mais machucado que possa estar
Por mais desolado que possa se encontrar
Acaba confiando
Que o amor de novo está chegando
Ledo engano!
Quando decidida me entreguei
Percebi que de novo me enganei
Já havias partido
Tão rápido, tão aflito
Em busca de outros artifícios
Para um novo coração encantar
Um novo corpo seduzir
E indiferente a tudo
Novamente partir
Imaginas como eu me senti?
Pelas costas apunhalada
A boca amordaçada
As mãos trêmulas e algemadas
Sem sequer poder reagir
Diante de todos tendo que fingir
Que não eras importante
Quando em mim
Uma dor dilacerante
Rasgava meu coração a todo instante
Descobri que nem ao menos sabias amar
Como todos que no passado
Eu vim a me entregar
Fizeste dos meus beijos
Apenas clarões dos teus desejos
Dos meus abraços
Acho que nem percebestes a temperatura
E quando inteira fui tua
Na tua pele
Nenhum minuto ficou registrado
Mas eu tenho certeza
Fostes tu que me arrancastes do passado
E agora carrego em mim
A vergonha de em ti
Estupidamente ter acreditado
A revolta de ter o meu coração perdido
Quando pensei tê-lo achado
A humilhação de em ti
Ter escandalosamente confiado
Passado algum tempo
Acho melhor aceitar que tenhas partido
Porque se ficas comigo
Armazenando mentiras
Fingindo sentimentos
Me traindo a todo momento
E eu venho a descobrir
Eu não iria resistir
E não me sentiria só ingênua
Nem somente infantil
Eu estaria agora
Com uma chaga tão profunda
Aberta em mim
Que penso que assim
Nem poderia mais viver
No entanto, da maneira que foi
Do jeito desprezível que partiste
Tu ainda permitiste
Que minha alma possa sonhar
Meu coração divagar
E que meu corpo por ordem dos dois
Mesmo que tenha sido tantas vezes ludibriado
Ainda... queira outro ao seu lado.

Silvana Duboc