Ponto G

Isabel Allende é uma das escritoras que mais admiro, não só por
seus livros, mas também por seu humor, sua trajetória de vida
e sua força diante de dramas inesperados, como a morte prematura
de sua filha, Paula, aos 28 anos, que acabou lhe inspirando um romance biográfico emocionante.
Hoje, Isabel vive feliz em Sausalito, Califórnia, com o segundo marido.
Lendo a entrevista que ela deu para a Playboy, ri muito com suas declarações e uma delas me pareceu um verdadeiro achado:
"As mulheres gostam que lhes digam palavras de amor. O ponto G está nos ouvidos. Inútil procurá-lo em outro lugar."
Ah, o ponto G, esse paraíso secreto que leva os homens a
explorações minuciosas. Tanto trabalho por nada.
Não temos um ponto G, mas dois, um em cada lateral da cabeça,
e não é preciso tirar nossa roupa para nos deixar em êxtase.
Falem, rapazes. Digam tudo o que sentem por nós,
assim, assim... isso...
Concordo com a autora de A Casa dos Espíritos:
o melhor afrodisíaco é a declaração de amor.
Não aquelas mecânicas, faladas no piloto automático, mas as verdadeiras, sentidas, aquelas que os homens imaginam que basta serem ditas com o olhar e com as mãos, mas que fazemos questão
de escutar também com a voz: "Como eu gosto de estar com você, esqueço do tempo ao seu lado, que horas são? Já? Que me esperem, não consigo desgrudar de você, amor."
Caetano Veloso vendeu um milhão de cópias do seu último disco, e tenho certeza de que não foi por causa de "vou me embora, vou me embora, prenda minha..." e sim "por que você me deixa
tão solto, por que você não cola em mim?"
As feministas ortodoxas devem estar bufando.
Tanta coisa pra se exigir de um homem: mais espaço na política, mais ajuda em casa, salários iguais e nada de gracinhas no escritório,
e vem essa daí clamar por palavras!
Pois essa daqui acha tão interessante a idéia de igualdade entre os sexos que adoraria vê-los soltar o verbo como nós fazemos, expressar os sentimentos sem medo de ser piegas, afirmar e reafirmar diariamente como a gente é importante para eles e que saudades estavam do perfume dos nossos cabelos.
Clichê em último grau, reconheço,
mas quem quer ser moderna nessa hora?
Tudo o que se reivindica é o desbloqueio emocional masculino.
Nossos hormônios saberão como agradecer."

Martha Medeiros