Que eu faço com esse amor?

Você chegou, me envolveu, me seduziu.
Foram somente palavras e cada uma delas
entrou no meu peito como um furacão.
Encanto! Sedução!
Mais palavras, mais carinhos,
mais juras de amor, que dor!
Não podia ser como nós queríamos,
só trazia angústia e tristeza.
Conflitos, momentos aflitos, discórdias
de corações, muitas emoções.
Claro que sim, queríamos continuar,
mas não podíamos estar nos lugares
que sonhamos, nos dias que imaginamos,
da forma que tanto esperamos.
Os olhares se cruzavam, as mãos se tocavam,
os corpos vibravam, mas jamais se encontraram.
Os corações andavam sempre juntos,
por toda parte, por todos os sonhos,
todos os dias. Que desperdício de corações!
Eu fugia desse amor de todas as maneiras
e me perdia entre soluços e lágrimas.
Você insistia, sorria, sofria e sabia esperar.
Quem dera conseguíssemos viver nesses
caminhos por toda a vida.
Sabíamos que teria um fim, talvez de agonia,
de saudades, jamais de mágoas.
As palavras poderiam se perder no tempo,
a paixão abrandar, o coração acalmar,
mas o destino estava traçado...
Almas Gêmeas, inseparáveis, mesmo que
os corpos jamais se tocassem.
Foi além da paixão, do amor, da atração,
foi incalculável, real e imaginário,
sofrido e gostoso, foi um amor solitário
e cheio de companheirismo.
Foi distante e tão próximo,
inútil e extremamente proveitoso,
foi dose das mais fortes.
Continuamos? Desistimos?
Se nos afastamos, se afastamos nossas
almas, destruímos nossos corações
e nossos sonhos ... e aí até os nossos corpos,
que nunca souberam o sabor um do outro,
vão sofrer um vazio enorme e além de tudo...
O céu não vai gostar...
Eu não vou poder...
Você não vai querer...

Silvana Duboc