Quem eu ainda posso ser?

Eu fui, eu vou voltar a ser,
eu era mas não sei bem o quê.
Eu me distanciei de mim sem perceber,
eu me perdi e me escondi,
eu chorei e eu sofri.
Eu acumulei ressentimentos,
eu corri tão rápido quanto o vento.
Eu rodei em torno de mim
até encontrar o meu fim.
Eu briguei com o destino de forma violenta
e numa arena sangrenta
vi meu corpo estendido
e isso não fez nenhum sentido.
Agora eu vivo sozinha aqui comigo
querendo de qualquer forma entender
quem eu fui e quem ainda eu posso ser.

Silvana Duboc