Redemoinho

Posso me afastar,
tentar te esquecer,
posso até mentir
e dizer que não vai doer.
Posso fazer de conta,
fingir que estou pronta
pra viver dessa maneira.
Posso imaginar que é tudo brincadeira,
que o silêncio não vai me machucar,
sequer, triste vai me deixar.
Posso sorrir pra não chorar,
me esconder pra em você não esbarrar.
Posso tudo que eu quiser,
do jeito que cismar, que me convier,
mas existe algo que não posso fazer,
parar de escrever
e é aí que eu me denuncio,
que faço com que minhas decisões
fiquem todas por um fio.
Posso correr atrás de novas emoções
mas não posso apagar
o que já foi vivido pelos nossos corações.
No final chego à conclusão
que não mando nessa paixão.
É ela que me guia,
que é minha eterna companhia.
É ela que tudo ordena
e sussurra, em meus ouvidos, tão serena:
"Não adianta você lutar,
tentar se desvencilhar,
e, por fim, se afastar
desse seu caminho.
Você vai dar voltas,
girar como um redemoinho
e finalmente vai perceber
que sem ele a sua vida
não tem mais como acontecer."

Silvana Duboc