Refém da saudade

A saudade tem me consumido,
tem acordado e dormido comigo.
Roubou o seu lugar na minha cama,
envolveu-se nos meus lençóis,
usou o seu pijama,
deitou no seu travesseiro,
tem frequentado o meu banheiro
e embaixo do chuveiro ousa me atacar
quando resolvo me banhar.
A saudade não quer me largar,
trancou a porta do meu quarto
e lá dentro me fez sua refém
e entre essas quatro paredes
não ouço mais ninguém.
Ficamos apenas nós duas a nos encarar
e ela a me desafiar
afirma que você nunca mais vai voltar.

Silvana Duboc