Rompimentos

No primeiro instante acha-se
que a vida não faz mais sentido,
que não existe mais nenhum motivo
para acordar ao amanhecer,
para continuar ou insistir em viver.
As lágrimas tornam-se amigas constantes
e não existe um só instante
que o pensamento não torture até machucar.
Feridas vão se abrindo sem parar
e parece que nunca vão cicatrizar.
O rompimento é um dos piores momentos
que o ser humano precisa enfrentar,
pois coração nenhum está preparado pra se separar
do objeto do seu amor.
A dor todos os dias tende a aumentar
e assemelha-se a um balão, que de tão cheio,
está prestes a estourar.
Amigos não têm o poder de consolar
e nenhum divertimento parece capaz de alegrar.
Tanta dor é pessoal e intransferível,
é devastadora e dá sinais de ser irreversível.
E é aí que entra o tempo firme e consolador
indicando, dia após dia,
que ele abranda qualquer dor,
que ele substitui qualquer amor,
que ele tem uma força incontestável
e uma dimensão incalculável.
Não é que relacionamentos não dêem certo,
eles apenas sobrevivem a um tempo correto,
o tempo que lhes foi concedido pelo destino
e quando, por desespero, insistimos
em ampliá-lo ou alongá-lo
o que foi bom pode ser estragado
e o que, por determinado período, foi perfeito
pode se tornar estagnado.
Permita que a vida dê as voltas que necessita dar,
permita que ela possa avançar
e seguir seus novos rumos sem você atrapalhar.
A vida não é um estacionamento,
é um meio de transporte em movimento
e, por isso, existem as mudanças e os rompimentos.


Silvana Duboc