Saudades da saudade

Foi ruim ter te perdido. Doeu um horror, ah! se doeu.
Curti cada momento da perda de montão, lógico que depois que passou a mágoa, o ódio?, a pirraça, a jura de te esquecer para sempre, os desejos de vingança, a necessidade de encontrar explicação, a imensa vontade de te ver chorando, as juras de que ainda ias te arrepender amargamente.
É! O apaixonado curte separação, olha pro rosto cheio de lágrimas
e acha que não tem mais um momento de paz na vida.
Depois vem a saudade do beijo, da voz, do indecente, primeiro mais forte que dor de dente, daquelas que a gente sente quando vai fazer canal; depois acalma, o nervo não está mais exposto, apenas suave melancolia, até que, um dia, a ficha cai e percebemos que o ontem ficou distante e não pensamos mais no amor que acabou.
A mente mente, o coração desmente, o dente finalmente curou!
Aí começa a pior saudade. Daquelas que a gente sente do tempo que sentia saudades. Vem o imenso vazio. Este dá um frio!
Me arruma um cobertor?
Acho que agora estou mais doente,
por não sentir saudades do nosso amor.

Rosa Pena