Sim, foi amor!

Um dia, eu teria que falar dessa história
que você acha que conhece
e que, mesmo assim, sempre a esquece.
Eu sabia que o tempo precisava passar,
minha ferida parar de sangrar
para, então, eu lhe contar.
E o tempo passou
e ela, bem ou mal, cicatrizou.
Pelo menos não sinto mais dor. 
Agora, chegou a hora de contar
o que você sempre percebeu
mas nunca me perguntou.
Sim, foi amor!
Recentemente, tentei falar sobre isso
mas você não me escutou,
fugiu das minhas palavras
como, no passado, fugiu do meu amor.
Houve um tempo em que eu não me conformava
e depois um outro em que fiquei tão desgastada
que cheguei a pensar que a vida
não valia mais nada.
Nunca esperei por reciprocidade,
eu sempre entendi essa sua dificuldade.
O que eu queria, simplesmente,
era viver meu grande amor
tão intenso e verdadeiro
e a vida não me deixou.
Você precisaria ser apenas um ator
contratado pra me realizar
e fingir que sabia me amar.
Esse papel você saberia fazer
porque, mesmo sem desempenhá-lo,
você me deu tanto prazer.
Eu sei que essa história foi só minha
e nela eu sempre caminhei sozinha.
A história que eu divido com você
é outra que eu também nunca vou esquecer.
Mas essa história que dividimos
que também se refere ao amor,
é sem paixão, sem ilusão
mas significa muito pra nós dois
e o que importa é que ela
 sempre terá um depois. 
Hoje não busco mais as respostas
que eu nunca encontrei.
Lá atrás, finalmente, eu as deixei.
Mas carrego na minha boca
um gosto amargo de desilusão
e um espinho fincado no meu coração.
Aprendi a viver desse jeito
e vou deixando a vida passar
porque o que não tem remédio,
remediado está.
Hoje foi assim, lembrei de mim,
de você e de nós dois e, logo depois,
senti um medo de partir daqui
ou ter que vê-lo ir
sem nunca ter lhe contado essa história.
Agora você já pode ter certeza
que realmente foi amor
e, pra ser bem sincera,
às vezes me pergunto se já acabou.

Silvana Duboc