Síndrome da carência irremediável

Sou uma, duas, sou três,
sou várias de uma vez,
sou aquela que busca a liberdade
e não a encontra na realidade.
Sou afirmação e negação,
calma e aflição,
amor e rejeição.
Sofro de uma insatisfação,
de uma carência velada,
que nunca será curada.
Se escancaro as janelas da minha imaginação
ferem covardemente o meu coração,
se tranco as portas da minha emoção
me afogo por completo na solidão.
Vivo no limiar da insanidade
e sofro de uma síndrome irremediável.
Sou várias porque em uma só eu não caberia,
minha cabeça não suportaria,
e minha alma muito sofreria.
Sou a jangada partindo,
o avião subindo,
sou o sonho que vem vindo,
o pesadelo que vai me destruindo.
Sou essa e mais ninguém,
sou muitas para todos
e apenas uma para alguém.

Silvana Duboc