Sob o estigma da tatuagem

Não é mais qualquer coisa que me tira do sério tão facilmente,
que me faça entrar numa "dividida".

Antes, bastava uma palavra de alguém, sobre algo que eu discordasse,
que já era motivo para eu entrar numa discussão, muitas vezes desnecessária e,
o que é pior, desgastante...

Hoje percebi que realmente mudei, quando entrei no metrô, na Luz, em direção
ao Jabaquara, e sentei-me ao lado de uma "senhora" que conversava com o neto. Num determinado momento, ela olha para o meu braço e, sem essa nem aquela,
diz ao menino, em alto e bom som:

- No meu tempo, quem tivesse tatuagem, a gente sabia que era bandido, ladrão, assassino... Hoje qualquer maluco faz... Que idiotice! Além de marcar o corpo com besteiras sem sentido, paga caro pra sentir dor... Nunca vi isso... Gente louca!

Pensei comigo: eu não ouvi isso...
E, por muito pouco, não virei para ela pra dizer algo do tipo:
Preconceito é crime, é ignorância também...

Mas deixei pra lá... Como você explica para uma pessoa que ela tem o direito
de ter sua opinião, mas que não deve expor, no meio de um vagão de trem,
o que pensa a respeito de " gente tatuada" ? E se tivesse ali, entre tantos,
um ladrão, um bandido ou um assassino, como ela mesma disse?

Como você explica que, nem sempre "gente tatuada", pode ser definida
como "marginal" ou como alguém que, segundo ela, por falta do que fazer,
por modismo, tatua o corpo com "besteiras"?

Será que valeria a pena eu explicar a ela o porquê das "minhas tatuagens",
da história de vida que elas representam?

Preferi calar e lamentar a maneira como ela pensa e julga quem ela nunca viu, se dando o direito de expor publicamente o que pensa e do jeito que bem entende.

Generalizar é perigoso e temerário... Julgar sem fundamento real... sem conhecimento de causa... Erro fatal... uma lição que vou guardar...

Isso me fez perceber que cresci, diante da vida e, principalmente, diante de Deus...

Estou aprendendo a não julgar, lembrando que " com a mesma medida que
eu julgar eu serei julgada" (Mateus 7:2) e que, quando for julgada, ter em mente
que "Bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça,
porque deles é o reino dos céus" (Mateus 5:10)

Não tenho esse direito e muito menos autoridade... Deus é o único juiz de nossa vida e de nossa conduta diante da eternidade.

Aos homens, nessa vida mundana, cabe uma justiça falha e, muitas vezes, tendenciosa, preconceituosa, irreal e arbitrária, temível por ter o poder de acabar com a vida de qualquer homem de bem, se a verdade, a honra e a moral, não prevalecerem.... E nós sabemos que isso quase nunca acontece.

Sendo assim, só me resta deixar pra lá atitudes como essa de hoje...

Não é a mim que ela deve prestar contas do que pensa e como age,
mas a Deus, assim como eu o farei, no devido tempo.

Tenho certeza que Deus não me julgará pelas minhas tatuagens, mas pelas boas obras que fiz em Seu nome, pelas cicatrizes das dores que trago na alma, que foram curadas por Ele, ou pelas injustiças sofridas, ou pelas amarguras e desilusões que consegui superar, segurando firme na mão de Jesus, Seu filho e nosso salvador, sem revidar, e conseguindo, com muito esforço e de joelhos diante Dele,
perdoar a quem me feriu/magoou e também tendo feito
o possível para ser perdoada por quem eu tenha ferido/magoado...

Isso é o que realmente importa!

Lu Sanches
29.01.2016

Estigma (no sentido figurado):
o que é considerado ou definido como indigno, desonroso ou de má reputação.