Solidão

Na verdade eu não conheço a solidão
porque fujo dela com a velocidade de um furacão
e pra ela eu insisto em dizer não.
Nunca deixei que ela descobrisse meu endereço,
sequer minha caixa postal
mas isso tem um preço
que muitas vezes é fatal.
Dou vários sorrisos ensaiados,
faço gestos alegres sempre bem treinados.
Não, eu nunca fui apresentada à solidão,
jamais lhe estendi a minha mão,
não a convido para entrar na minha vida
e não permito que ela me faça uma pessoa sofrida.
Da solidão quero distância mesmo quando eu estiver só,
até quando minha cabeça der um nó
e eu me sentir angustiada, derrotada.
Solidão pra mim só pode existir em poesia
e não quero que ela me faça companhia
pois sei que ela só fará amargar os meus dias.
Não, eu não conheço a solidão,
só sei que ela corre atrás de mim,
chama pelo meu nome com uma voz ruim,
muito rouca de tanto gritar
e tenta de alguma forma me alcançar.
Eu corro desesperadamente
com um medo imenso de tropeçar
e ela finalmente me resgatar.
É, dizem que a solidão é insistente,
não desiste da gente,
nunca se dá por vencida,
ela quer fazer parte do maior número de vidas.
Mas eu, por sorte, não conheço a solidão,
já o meu coração...

Silvana Duboc