Surreal

Me pegue de uma vez
Acabe com essa minha lucidez
Transforme minha vida em total insensatez
Assim serei feliz... talvez...

Me sequestre para seu mundo
Nem que seja apenas por um segundo
Deixe-me sentir esse pulsar profundo
Sem amarras, sem correntes,
como um nobre vagabundo...

Quero viver sem hora marcada
Sentir o frescor da madrugada
Quero andar sob a chuva e ficar encharcada
Caminhar pelas ruas alagadas...

Quero ver o nascer do sol na manhã
Quero rodopiar no vento feito Iansã
Sentir o gosto de mel da maçã
Beijar sua boca com sabor de hortelã...

Me sentir outra vez mulher-criança
Ver acender novamente a luz da esperança
Lançar meu olhar onde a vista não alcança
E depois da tempestade ver o arco-íris da bonança...

E assim, quando eu voltar ao meu mundo real,
Para o meu cotidiano tão banal
Eu possa me dizer de forma cabal
Que vivi outra vida, totalmente surreal...


Sonia Maria Grillo