Terreno baldio

Fui semente, fui flor,
fui jardim perfumado,
por fim criei espinhos de dor
por causa de um amor fracassado.

Mas quem de nós
já não esteve nessa situação?
No final resta no coração
um sentimento de impotência
apesar de toda resistência
para não sentí-lo.

Apaga-se em nós aquele brilho,
aquela gana de viver
a ponto de não conseguirmos esconder.

Hoje sou terreno baldio,
com vento e frio,
restos de folhas secas a voar
sem que nada mais
possa ser construído por lá.

Silvana Duboc