Tipos de coração

Tenho conhecido tantos tipos de corações
e cada um com seus poréns e senões,
com suas riquezas e pobrezas,
com suas particularidades,
com características magníficas
e, muitas, lastimáveis.

Tem o coração de algodão
que de tão fofo parece irmão
que acredita e segura a nossa mão.

Tem o de açúcar que facilmente se desfaz
e pra se reconstituir leva tempo demais.

Tem o coração apagão
que se esconde no meio da escuridão
com receio de sentir alguma emoção.

Tem o coração solitário
que insiste em viver seu calvário.

Tem, também, uma espécie
que deveria ser estudada
se bem que temo que estudo algum dê em nada.

Ele é um tipo de coração duro e oco por dentro,
parece de ferro, de aço,
não amolece em nenhum momento
e se alastra em qualquer espaço.

Nem o mais sincero sentimento
consegue salvá-lo de tanta dureza
e de sua enorme aspereza.

No entanto existe um outro tipo de coração
que alcançou um nível de evolução
que sabe deliciosamente se dar
mesmo quando dúvidas pairam no ar.

Ele possui uma grandeza e uma dimensão
que suporta qualquer traição,
qualquer pequenez vinda de outro coração.

Ele carrega afeto numa proporção
impossível de calcular
e se refaz facilmente de qualquer dor
que possa o afetar.

Ele vive pra esquecer e perdoar
corações que não aprenderam a amar
e que, por isso, vivem uma vida
que a qualquer instante pode desmoronar.

É, tenho conhecido muitos tipos de coração
e nisso tudo sabe o que é bom?

Eu tenho aprendido a respeitar,
entender e aceitar
que nem todos são iguais,
muitos são especiais
e outros infelizes e superficiais.

Silvana Duboc