Três histórias de mosteiros

1.Perdoando os inimigos

O abade reuniu-se com seu aluno preferido, e perguntou como ia seu progresso espiritual. O aluno respondeu que estava conseguindo dedicar a Deus todos os momentos de seu dia.
- Então, falta apenas perdoar os seus inimigos.
O rapaz ficou chocado:
- Mas eu não preciso! Não tenho raiva de meus inimigos!
- Você acha que Deus tem raiva de você?
- Claro que não!
- E mesmo assim você pede Seu perdão, não é verdade? Faça o mesmo com seus inimigos, mesmo que não sinta ódio por eles. Quem perdoa, está lavando e perfumando o próprio coração.


2.Os visitantes indesejáveis

- Não temos portões em nosso mosteiro
- Shantih comentou com o visitante.
- E como fazem com os ladrões?
- Não há nada de valioso aqui dentro.
Se houvesse, já teríamos dado a quem precisa.
- E as pessoas inoportunas, que vem perturbar a paz de voces?
- Nós as ignoramos, e elas vão embora - disse Shantih.
- Só isto? E isto dá resultado?
Shantih não respondeu. O visitante insistiu algumas vezes.
Vendo que não obtinha resposta, resolveu partir.
"Viu como funciona?" disse Shantih para si mesmo, sorrindo.


3.O discípulo embriagado

Um mestre zen tinha centenas de discípulos.
Todos rezavam na hora certa - exceto um, que vivia bêbado.
O mestre foi envelhecendo. Alguns dos alunos mais virtuosos começaram
a discutir quem seria o novo líder do grupo, aquele que receberia
os importantes segredos da Tradição.
Na véspera de sua morte, porém, o mestre chamou o discípulo
bêbado e lhe transmitiu os segredos ocultos.
Uma verdadeira revolta tomou conta dos outros.
- Que vergonha! - gritavam pelas ruas. - Nos sacrificamos por um mestre errado, que não sabe ver nossas qualidades.
Escutando a confusão do lado de fora, o mestre agonizante comentou:
- Eu precisava passar estes segredos para um homem que eu conhecesse bem. Todos os meus alunos eram muito virtuosos, e mostravam apenas
suas qualidades. Isso é perigoso; a virtude muitas vezes serve para esconder a vaidade, o orgulho, a intolerância.
"Por isso escolhi o único discípulo que eu conhecia realmente bem,
já que podia ver seu defeito: a bebedeira".