Tributo ao meu amigo Sheik

Foram doze anos de companheirismo, amizade e amor; doze anos feitos de momentos muito alegres, mas também de momentos muito tristes, como quando você ficou doente da coluna e lentamente foi perdendo a condição
de caminhar sozinho; mas você sabia que eu sempre estaria ao seu lado e que tudo faria pra tornar sua vida o mais normal possível. Foi nesta ocasião que nossa união se tornou mais sólida e sei que você confiava que, em tudo que eu buscava na área médica, era para que você tivesse mais conforto. O tempo foi passando e eu não consegui um tratamento que lhe trouxesse a cura, mas à medida que você foi ficando paraplégico e depois tetraplégico, o meu amor por você era ainda maior e você passou a ser, mais do que nunca,
a razão dos meus dias.
A você, Sheik, dediquei um amor de mãe e prometi que estaria sempre a seu lado, cuidando de você e procurando fazer com que aquela deficiência não o deixasse sentir-se abandonado em um colchão, sem carinho; procurava fazer dos nossos passeios, no seu carro ortopédico, um motivo de alegria,
pois estávamos juntos e para nós isso bastava.
O tempo foi passando e tudo continuava igual, ou quase igual, porque logo depois que adquiri seu primeiro carro ortopédico de duas rodas, na esperança de que com ele pudéssemos retornar aos nossos passeios, veio a doença para mim. Foi mais uma batalha que tivemos que travar juntos, sim, juntos, porque nos momentos em que me sentia fraquejar na dor, você estava ao meu lado e eu lhe pedia forças para suportar a dor que o meu tratamento me impunha; olhava pra você e dizia: “ Sheik ajuda a mamãe a ficar curada para poder cuidar de você”.
Seus olhinhos ficavam fixos nos meus e transmitiam toda a força que só o amor é
capaz e eu seguia em frente porque tinha
você do meu lado o tempo todo.
Dois anos se passaram desde então e, à medida que eu melhorava, você ia piorando; suas patas dianteiras foram perdendo a força e não puderam mais dar “uta” na mamãe, mas eu me ajoelhava no seu colchão e abraçava-o com muito amor como que compensando sua deficiência para não perder nosso abraço. Veio então a necessidade de um carro ortopédico de quatro rodas; mais uma tentativa de dar a você qualidade de vida, mas será que eu tinha este direito? Manter você com uma sub-vida?
Se fiz o correto ou não,
fiz o que meu coração mandou.
O tempo passou e eu via você definhando fisicamente, mas eu sentia que você era feliz por estarmos juntos e receber os cuidados das pessoas que faziam parte da sua vida. Mas apesar de todos os cuidados, estava chegando
a hora de nos separamos e eu pedia pra São Francisco que não fosse preciso eu tomar a decisão da eutanásia; que Deus na sua infinita misericórdia, depois de tanto sofrimento, lhe desse uma partida normal, através de uma estrada de luz, a caminho da “ Ponte do Arco Íris”, lugar onde os animais que em vida sofreram por doença ou maus tratos,
vão morar e aguardar que um dia
se encontrem com as pessoas que tanto
amaram e foram amados.
E foi isso que aconteceu. No dia 27 de Outubro de 2005, quando os remédios não amenizavam sua falta de ar, internei-o no Hospital Veterinário para ficar no balão de oxigênio, na esperança de que se curasse da deficiência cardíaca. Conforme lhe prometi, fiquei ao seu lado por horas, segurando o oxigênio para minimizar seu sofrimento; veio a primeira parada cardíaca e eu me desesperei; o médico o socorreu e você voltou; continuei do seu lado pedindo que São Francisco o levasse; temia pela eutanásia e dizia-lhe: “ Sheik, a mamãe não tem mais direito de pedir pra você ficar; sei que está chegando a hora mas quero que leve consigo a certeza que lhe dediquei um amor sem limites
e que vou amá-lo por toda a eternidade;
você foi e sempre será meu filho amado”
Eram quase nove horas da noite quando tivemos, eu e a sua “ tia”, que vir embora,
pois o hospital não permitia que ficássemos; dei-lhe um beijo e lhe disse até amanhã, se for da vontade de Deus, mas se você partir,
leve consigo todo o meu amor eterno.
Sheik, você foi tão companheiro que esperou que saíssemos do Hospital, para depois partir para sua nova morada. Eram dez e meia da noite quando o telefone tocou e o Dr. Eugenio falou que você não resistiu a segunda parada cardíaca. Acabou! Só me restou ir ao Hospital e trazer você para ser sepultado no quintal da nossa amiga Diva, mãe da veterinária que o assistia em casa, que, num ato de amor e caridade, ofereceu para sepultá-lo junto com seus quatro animais que lá estavam.
Assim, meu querido Sheik, terminou a nossa caminhada juntos nessa Terra, mas tenho a certeza que hoje, ao olhar as estrelas do céu, vejo você em uma delas, iluminando meu caminho e que continua me dando forças para prosseguir; que continuamos espiritualmente ligados, para sempre unidos, pelos laços do amor incondicional que vivemos.
Que Deus lhe dê muita luz!
Que você corra pela Ponte do Arco Íris,
aonde um dia iremos nos encontrar!
Muita luz!
Te amo!

A Ponte do Arco-Íris

De um lado do paraíso existe um lugar chamado Ponte do Arco Íris. Quando um animal morre, aqueles que foram especialmente queridos por alguém, vão para a Ponte do Arco Íris. Lá existem campos e colinas para todos os nossos amigos especiais, pois assim eles podem correr e brincar juntos. Lá existe abundância de comida, água, raios de sol, e nossos amigos estão sempre aquecidos e confortáveis. Todos os animais que já ficaram doentes e velhinhos estão renovados com saúde e vigor; aqueles que foram machucados ou mutilados estão perfeitos e fortes novamente, exatamente como nós nos lembramos deles nos nossos sonhos, dos dias que já se foram. Os animais estão felizes e alegres, exceto por uma coisinha: Cada um deles sente saudades de alguém muito especial, alguém que foi deixado pra trás. Todos eles correm e brincam juntos, mas chega um dia quando um deles pára de repente e olha fixo na distância. Seus olhos brilhantes estão atentos; seu corpo impaciente começa a tremer levemente. De repente, ele se separa do gupo, voando por sobre a grama verde, mais e mais rápido. Você foi visto e quando você e seu amigo especial finalmente se encontrarem ficarão unidos num reencontro de alegria, para nunca mais se separar. Os beijos de felicidade vão chover na sua face; suas mãos vão novamente acariciar tão amada cabecinha, e você vai olhar mais uma vez dentro daqueles olhos cheios de confiança, que há muito tempo haviam partido da sua vida, mas que nunca haviam se ausentado do seu coração. Então vocês, juntos, cruzarão a Ponte do Arco Íris.

Sheik, hoje você está saudável, alegre e correndo nos campos e colinas da Ponte do Arco Íris, livre das doenças que o impediram de ter uma vida normal; Seja feliz meu amigo e filho e espere-me que, um dia, iremos nos encontrar e atravessar a Ponte do Arco Íris, juntos para sempre.

Muita Luz!
Fique com meu amor pra sempre!
Mamãe!