Tua alma

Talvez sejas a alma que em outras vidas busquei
e que por tão pouco não encontrei.
Não sei em que formato nessa vida tu vieste,
com que pele, com que veste.
Não sei se estás aqui em forma de flor
ou disfarçado de amor,
não sei se és a paz ou a dor.
Não sei se voas como um pássaro
ou se és fruto do fracasso.
Não sei se és o vento
que chega até mim tão violento.
Não sei se és outono ou primavera,
se és encontro ou espera.
Não sei onde habita a tua alma,
se repousa em algum corpo
contemplado pela calma
ou se salta desesperada
em meio a uma cavalgada.
Talvez nunca venhas a te revelar
e em outras vidas eu precise te procurar.
Talvez haja um pedaço teu
que poderá ser meu.
Talvez inteiro irás te apresentar
e então me dirás
que és a alma que eu tanto persegui
nas outras vidas que eu vivi.
Talvez continuemos afastados
perpetuando em várias vidas,
porém, sempre isolados.
Talvez nossas almas sofram o castigo
de vagarem solitárias, distantes do paraíso.
Nada é mais preciso
que um encontro definitivamente programado
e nada é mais angustiante
que um distanciamento
evidentemente determinado.

Silvana Duboc