Última página

Mais uma vez o tempo me assusta, passa afobado pelo meu dia, atropela minha hora, despreza minha agenda.
Corre prepotente a disputar lugar com a ventania.
O tempo envelhece e não se emenda.
Deveria haver algum decreto que obrigasse o tempo a desacelerar e a respeitar meu projeto... só assim eu daria conta dos livros que vão empilhando, das melodias que vão me aguardando, das saudades
que venho sentindo, das verdades que eu ando mentindo,
das promessas que venho esquecendo, dos impulsos que sigo contendo, dos prazeres que chegam, partindo,
dos receios que partem, voltando.
Agora, que redijo a página final, percebo o tanto de caminho percorrido nesse ano que vai se retirando.
Apesar do tempo e sua pressa desleal agradeço a Deus por
ter vivido, por amanhecer e continuar teimando...

Flora Figueiredo