Um dia acontece com todos nós

Um dia acontece com todos nós.
O amor incendeia,
nossa razão se bloqueia
e a emoção devaneia.
Viver separados vira quase um pecado,
o mesmo teto precisa ser logo habitado.
E vamos nós animados
viver um novo tempo
cheio de um lindo sentimento.
Eis que o passar dos anos
começa a apontar enganos
que nós cometemos
em tempos serenos.
A pressa sempre foi inimiga da perfeição
mas, disso não sabe nenhum coração.
Surge a rotina mortal
que sufoca todo casal.
A convivência total
desencanta e estraga
o que a gente pensava
que seria imortal.
Os olhares, antes tão carinhosos,
se perdem e deixam de ser amorosos.
O beijo vira produto em extinção
e, até mesmo, o roçar das mãos.
A alegria vai sendo subtraída
de ambas as vidas.
O que antes era doce, fica amargo,
o que era picante, fica destemperado.
A noite, na cama deitados,
cada um vira para o seu lado
e sonha com o passado.
Não fui eu quem inventou essa situação,
ela simplesmente se desenvolve
dentro de quase todo coração
e com isso vidas vão sendo abaladas
e pessoas vão ficando frustradas.
Quem dera quem inventou o amor
soubesse que mais tarde o resultado seria dor.
Talvez, assim, tivesse inventado
algo menos complicado,
mais leve, menos pesado.
Talvez tivesse inventado apenas o gostar,
sem hora marcada,
sem cobrança desesperada,
sem tédio , sem traição,
algo que somente fizesse bem ao coração
e independentemente do tempo que durasse
não causasse nenhuma decepção.


Silvana Duboc