Vagabavazia

Ela falava de pérolas, ele de porcos.
Por vezes, o nariz entupia das lágrimas que não desciam pelos olhos, ele imediatamente sugeria que ela tomasse um antigripal.
Ela estendia os braços na tentativa de um abraço,
ele entregava o saleiro que estava no meio da mesa.
Ela sussurrava o frio que sentia,
ele mandava que ela comprasse um novo moletom.
Ela esgotava as polissílabas, ele devolvia com uma monossílaba.
Então, ela arrumou o Aldo, e todos a chamaram de vagabunda vazia, por ter traído um marido tão prestimoso.

Rosa Pena